Quintal bio Jorge Ferreira

A batata-doce em Portugal



A batata-doce (Ipomea batatas) veio de Cuba para Espanha e depois para Portugal, França e Itália, ainda antes da introdução da batata comum. Os portugueses levaram-na para África, Índia e China, o que contribuiu para que a cultura viesse a ser importante em quase todos os países tropicais e subtropicais. Em Portugal o seu cultivo foi maior no Algarve e nos Açores e Madeira.

No concelho de Aljezur, ainda no Algarve, e no de Odemira já no Alentejo, a importância da cultura e a existência duma variedade regional (a Lira), veio a permitir a criação duma IGP, aprovada na União Europeia, em que a atribuição dessa menção permite garantir que se trata dessa variedade e não doutra, uma vez que já outras se cultivam na região, porventura mais produtivas mas de menor qualidade.

A variedade Lira é a tradicional da região e tem as seguintes características morfológicas:
  • Piriforme alongada, de cor púrpura ou castanho-avermelhada e polpa amarela; calibre entre os 8,5cm x 4,0cm e os 16,5cm x 7,1cm; peso entre os 50 e os 450g.
Em Aljezur também se organiza anualmente o Festival da batata-doce (saiba mais), em geral no mês de Novembro já depois das colheitas.

As variedades regionais são também cultivadas em Portugal insular, havendo referência bibliográfica de 1946 das seguintes, porventura algumas delas já extintas:
  • Inglesa, Preta, Santinha, Barbiça, Amarelinha, Graveto e Machiqueira, na Madeira;
  • Amarela, Descorada, Roxa, Branca e Brasileira, nos Açores.
Apesar de o clima mais quente ser o mais favorável, a cultura pode ser feita mais a Norte, como a planta da figura 1, cultivada este ano em Ferreira do Zêzere, a partir de batata trazida de Aljezur, supostamente da variedade Lira de acordo com o vendedor.

Figura 1 – Batata-doce de Aljezur cultivada no Ribatejo Norte (Ferreira do Zêzere, 25.10.2015)


Para não atrasar muito a colheita, deve ter-se em conta que o ciclo é longo, com de cerca de 4 a 5 meses entre a plantação e a colheita. E no caso de fazermos o nosso viveiro, colocando as batatas na terra para darem rebentos com raiz, é preciso cerca de um mês para se poder transplantar.

No viveiro colocam-se as melhores batatas representativas da variedade, na horizontal, cobrem-se com 10cm de terra e espera-se que germinam e cresçam dando as chamadas "podas”. Não são necessárias muitas batatas, pois 15 Kg podem fornecer em 6 apanhas durante um período de dois meses (até 2,5 meses) entre dois a três mil rebentos. No Algarve os viveiros costumem fazer-se em princípios ou meados de Março, para se plantar em Abril e Maio, o mais tardar em Junho.

Quanto ao valor nutricional da batata-doce (saiba mais), no caso da variedade Lira de Aljezur, as análises feitas na Direção Regional de Agricultura do Algarve, indicam 33% a 35% de matéria seca, 1,3% a 1,5% de açúcares redutores, 1,8% a 3,7% de açúcares totais, e 11,2% a 12,9% de amido.

Uma batata-doce de tamanho médio pode fornecer o dobro da quantidade de vitamina A e um terço da vitamina C que precisamos por dia.

É também rica em ferro, potássio e antioxidantes (saiba mais). Pode comer-se depois de confecionada, simplesmente cozida em água (fig.2) ou assada no forno, ou então em múltiplas receitas (saiba mais) que têm sido criadas e já objeto de publicação em livro em Aljezur.

Fig. 2 – Batata-doce de Aljezur, cozida com a pele (Ferreira do Zêzere, 25.10.2015)


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