Animais e companhia Maria João Baldaia

A maternidade, a paternidade e a fertilidade

No contexto biológico, existe um desígnio universal, todas as espécies procuram a sua sobrevivência e perpetuação. Este impulso existencial faz com que todos os seres vivos procurem a criação de descendência, através da reprodução. A maternidade e a paternidade são a consequência da concretização dessa intenção.

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” (Fernando Pessoa).

Olhando para trás, há que reconhecer algo de muito curioso, a reprodução tem um não sei o quê de transcendental. É recordar a história da égua e do garanhão saudáveis, com filhos nascidos, que copularam vezes sem conta e ninguém aparecia, até que desistindo, soltou-se a égua no campo e um poldro atrevido, cumprindo os seus desígnios, concretizou-os, para surpresa de todos, e uns meses depois, lá tínhamos aquele que já ninguém esperava! O nosso "D. Sebastião” apareceu e tanto quanto a memória se recorda, não havia nevoeiro.

Para quem trabalha com a reprodução de animais domésticos, a equação: um progenitor e uma progenitora igual a descendência, é uma fórmula para a qual o que sabemos, podemos e devemos fazer condiciona o resultado final, no entanto, no momento da partida devemos nos preparar para as incógnitas da existência ...

Apesar de reconhecermos estas características intrínsecas da reprodução, não significa que se descure um conjunto de fatores com impacto na fertilidade, ou seja, a sorte também se faz! Assim, podemos atuar sobre alguns aspetos tais como:

1. Estado geral de saúde: Idealmente, os potenciais progenitores serão saudáveis, corretamente alimentados, desparasitados e vacinados. Quando tal não acontece, há que procurar ajuda, pois em algumas circunstâncias poderá estar a ocorrer um efeito deletério na fertilidade.

Por exemplo, um garanhão, um cão, um gato, ou um touro que apresentem dor na região lombo-sagrada ("dor de costas”), ou nas articulações coxo-femurais ("anca”), serão animais que terão dificuldade em consumar a cópula, mas não só, a dor e a inflamação têm um impacto negativo na fertilidade.

2. Condição corporal: Idealmente, os animais deverão apresentar um peso e uma condição corporal adequada à sua espécie, raça, sexo, idade e estado fisiológico. Este aspeto é particularmente importante em reprodução, pois tanto a magreza como a obesidade prejudicam a fertilidade dos progenitores, assim como predispõe a descendência para determinadas patologias.
3. Nutrição: A alimentação de um animal deve estar de acordo com as suas necessidades diárias, para a sua espécie, raça, sexo, idade e estado fisiológico, mas não só. Em reprodução existem alguns aspetos que se destacam, nomeadamente a energia digestível, o zinco, os ácidos gordos essenciais ómega 3, a vitamina E e o Selénio.
4. Stress: O stress repercute-se negativamente na fertilidade. Assim, ao reduzir as fontes de stress e ao promover o bem-estar, estamos a agir positivamente sobre a fertilidade dos animais.
EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.

0 comentários

Entrar

Deixe o seu comentário

em resposta a