Aprender sempre! Paula Costa

Adolescência - Um olhar sobre as crises ….Serão só as hormonas?

O que acontece na adolescência e o que explica as chamadas crises?

Diferentes estudos demonstram que nesta fase o cérebro não se encontra totalmente desenvolvido e evidenciam as mudanças que ocorrem nas diferentes estruturas cerebrais. São mudanças que, sequencialmente e paulatinamente vão permitir a passagem de um cérebro infantil a um cérebro maduro.

Neste processo podemos referir:
O Crescimento e reorganização de algumas estruturas cerebrais; o processo gradual de mielinização e consequente mudança na condução dos impulsos; o processo de amadurecimento que se inicia nas regiões posteriores, áreas com função sensorial; o amadurecimento na fase final das regiões pré-frontais; integração funcional entre diferentes partes do córtex; cristalização de competências motoras; expansão da substância branca e maior eficácia das funções do córtex pré-frontal.


As regiões frontais são as responsáveis pelas tomadas de decisão. Como iniciam o seu amadurecimento na adolescência, explica parcialmente por que esses jovens agem de uma  forma tão inconsequente em algumas circunstâncias.

O desenvolvimento do cérebro não é afectado, como é de senso comum, negativamente por "descargas” de hormonas. Estas têm contudo a sua acção no desenvolvimento do adolescente.

A preparar a adolescência temos a puberdade, fase na qual se identifica o papel importante do cérebro. A hipófise estimulada pelo hipotálamo segrega duas hormonas (FSH e LH) que vão por sua vez permitir a libertação das hormonas sexuais (estrogénio e testosterona).

Os hormônios esteróides influenciam o comportamento adolescente que é em simultâneo espelho e motor do desenvolvimento cerebral.

O cérebro adolescente apresenta-se muito sensível à dopamina, neurotransmissor que activa os circuitos de gratificação. Este facto ajuda a explicar a velocidade de aprendizagem dos jovens, a sua extraordinária capacidade de resposta para a recompensa e as reacções intensas face aos sucessos e aos fracassos.

Assumir riscos nesta fase da vida tem um valor adaptativo muito ligado à vontade do adolescente querer saber quem é e como é.

O cérebro é muito sensível a sinais de aprovação e rejeição. A ocitocina, hormona à qual o cérebro do jovem também se mostra muito sensível, é impulsionadora de relações sociais sobretudo com pares e integração em grupos. Relações gratificantes levam, graças a um mecanismo de retroacção, à libertação dessa hormona.

Situações de rejeição conduzem, pelo contrário, à activação de circuitos neuronais da dor. Para o evitar, há a procura de convívio com pares e situações de prazer.

Nas situações atrás referidas está presente a possibilidade de todos os seres humanos através da Educação, da relação com os outros e das suas próprios decisões criarem experiências que de uma forma importante deixam marcas e produzem mudanças decisivas nos padrões de conexões neuronais do cérebro.

O cérebro do adolescente distingue-se pelas características associadas a crises mas sobretudo pela sua fantástica plasticidade. Obrigar ou esperar comportamentos de adulto no adolescente será o mesmo que inibir um crescimento saudável e estruturado.


A adolescência define-se como um período perfeitamente normal e desejável de reorganização do cérebro.

Comportamentos identificados como críticos não são os únicos expressos pelos adolescentes. Perante eles, os pais (e outros adultos) não sabem como reagir e exibem desconforto muito pelo grau de perigosidade que lhes atribuem.
Finalmente, podemos dizer que as crises da adolescência existem mas quando acontecem resultam de influências sociais assim como de experiências e atitudes individuais de um ser naturalmente ainda vulnerável. Elas não são por si só negativas. São o espelho do cérebro adolescente!

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


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