Segredos de saúde alimentar Miguel Damas

Ajude o cérebro do seu filho: dê-lhe Omega 3

Com o regresso às aulas traçam-se os objectivos para o ano lectivo. O cumprimento das metas depende de vários factores, sendo provavelmente o mais importante a dedicação e aplicação do seu filho às aulas e aos estudos. Apesar disso, pode ter um papel mais activo nesse percurso, fornecendo-lhe todas as ferramentas necessárias a que o sucesso seja o maior possível.

O nosso cérebro precisa de um ambiente óptimo para que consiga atingir a sua melhor performance, tão importante para qualquer estudante em qualquer fase do seu percurso académico. É-lhe constantemente exigida mais concentração, maior memória, maior resistência, maior capacidade de trabalho. Todas estas exigências desequilibram o seu funcionamento bioquímico cerebral, particularmente inflamando-o e deteriorando-o.

É preciso pois prevenir e combater estas consequências, tentando preservar e regenerar tanto quanto possível as células cerebrais. Uma boa alimentação, exercício físico frequente e excelentes hábitos de sono são factores essenciais. Mas não são suficientes.

Ajude o cérebro do seu filho: dê-lhe Omega 3

Os Omega 3 são um conjunto de ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa, fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo. Através do ácido linoléico (ALA), produzimos o ácido eisocapentanóico (Veja mais sobre EPA) – e o ácido docosahexaenóico (Veja mais sobre DHA). Ambos são componentes major das membranas neuronais e desempenham funções muito variáveis, desde a modulação da plasticidade sináptica e neuroimunológica até fenómenos de neuroprotecção 1.

Os efeitos destes ácidos gordos é efectivamente abrangente no que toca ao funcionamento cerebral:
  • Menores níveis de DHA condicionam pior capacidade de leitura e de memória, demonstrou um estudo abrangendo em crianças britânicas2;
  • Melhoria de 70% das funções executivas, da atenção, coordenação motora-visual e rapidez de processamento em crianças mexicanas suplementadas com ómega 33;
  • Aumento da maturidade da acuidade visual em crianças suplementados com DHA4,5;
  • Neutralização dos mediadores pro-inflamatórios cerebrais através da suplementação com ómega 36;
No que toca à melhoria da performance cognitiva global, o ómega 3 pode até ser considerado o doping do cérebro. Se adicionarmos o efeito que a inflamação tem sobre a fadiga persistente (relembre aqui), a suplementação com ómega 3 aumentará o sucesso do seu filho ao longo do ano.

Mas não fica por aqui!

Omega 3 e Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA)

Para além dos efeitos nas funções cognitivas, a optimização bioquímica cerebral influencia emoções e comportamentos humanos7.

É cada vez mais frequente o diagnóstico de PHDA em crianças irrequietas e desatentas na escola. O rendimento escolar é afectado de sobremaneira, condicionando uma capacidade limitada de atenção, cumprimento de tarefas e do estudo. Os fármacos usados nesta perturbação nem sempre atingem o efeito terapêutico desejado.

O ómega 3 tem-se mostrado uma ajuda extra para estas crianças. Ainda que possa não ser considerada como uma terapia isolada8, a relação entre baixo nível de ácidos gordos e PHDA tem sido vastamente documentada2,9,10 sendo aconselhada a suplementação dada a sua segurança e potencial efeito benéfico.

Escolha o melhor suplemento de ómega 3 para o seu filho

A vasta escolha de suplementos de ómega 3 que existe no mercado faz com que a decisão sobre qual o melhor suplemento seja difícil. Veja aqui que cuidados deve ter.

 


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Bibliografia
1. Luchtman, D. & Song, C., Cognitive enhancement by omega-3 fatty acids from child-hood to old age: Findings from animal and clinical studies, Neuropharmacology, 2013, 64, pp. 550-565.
2. Montgomery, P., Burton, J.R., Sewell, R.P., Spreckelsen, T.F. & Richardson, A.J., Low Blood Long Chain Omega-3 Fatty Acids in UK Children Are Associated with Poor Cognitive Performance and Behavior: A Cross-Sectional Analysis from the DOLAB Study. PLoS ONE, 2013, 8 (6).
3. Portillo-Reyes, V., Pérez-García, M., Loya-Méndez, Y. & Puente, A.E., Clinical significance of neuropsychological improvement after supplementation with omega-3 in 8–12 years old malnourished Mexican children: A randomized, double-blind, placebo and treatment clinical trial, Research in Developmental Disabilities, 2014, 35 (4), pp. 861-870.
4. Uauy, R., Birch, E., Birch, D. & Peirano, P., Lipids in Infant NutritionVisual and brain function measurements in studies of n-3 fatty acid requirements of infants, The Journal of Pediatrics, 1992, 120 (4), pp. S168-S180.
5. Innis, S.M., Dietary omega 3 fatty acids and the developing brain, Brain Research, 2008, 1237, pp. 35-43.
6. Farooqui, A.A., Horrochs, L.A. & Farooqui, T., Modulation of inflammation in brain: a matter of fat, Journal of Neurochemistry, 2007, 101, pp. 577-599.
7. McCann, J.C. & Ames, B.N., Is docosahexaenoic acid, an n−3 long-chain polyunsaturated fatty acid, required for development of normal brain function? An overview of evidence from cognitive and behavioral tests in humans and animals, American Journal of Clinical Nutrition, 2005, 82 (2), pp. 281-295.
8. Bloch, M.H. & Qawasmi, A., Omega-3 Fatty Acid Supplementation for the Treatment of Children With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Symptomatology: Systematic Review and Meta-Analysis, Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 2011, 50 (10), pp. 991-1000.
9. Stevens, L.J., Zentall, S.S., L. Abate, M.L., Thomas Kuczek, T. & Burges, J.R., Omega-3 fatty acids in boys with behavior, learning, and health problems, Physiology & Behavior, 1996, 59 (4-5), pp. 915-920.
10. Hawkey, E. & Nigg, J.T., Omega − 3 fatty acid and ADHD: Blood level analysis and meta-analytic extension of supplementation trials, Clinical Psychology Review, 2014, 34 (6), pp. 496-505.