Alimentação saudável

Algumas razões porque o glúten pode não ser inofensivo

Não somos apologistas de extremismos e por isso não vamos escrever que o glúten é o culpado de todas as doenças.

Mas, o glúten, tem um papel bem mais abrangente do que simplesmente na doença celíaca.

Esta proteína que muitos de nós ingerem todos os dias, várias vezes ao dia, não é de todo inofensiva para muitos de nós.

O glúten pode causar efeitos adversos mesmo sem diagnóstico de doença celíaca

Por exemplo em indivíduos com síndrome do cólon irritável, a retirada do glúten já demonstrou ajudar na diminuição de sintomas como inchaço, consistência alterada das fezes e dor.

E também existem investigações que mostram que o glúten leva a aumento da inflamação e degenera a mucosa intestinal, mesmo em indivíduos sem doença intestinal prévia.

O glúten também parece ter efeitos negativos na permeabilidade intestinal levando ao denominado "leaky gut” e permitindo que substâncias não desejadas e mesmo bactérias acabem por ir parar à corrente sanguína. (leia mais aqui, aqui, e aqui)

Apesar de como em todos os assuntos, ser necessária mais investigação, cada vez mais se associa a retirada do glúten a mais pacientes que não só os com doença celíaca. (leia mais aqui, aqui e aqui).


O glúten está associado a doenças imunitárias

Quando alguém padece de uma doença imunitária, o seu sistema imunitário está normalmente a reagir de forma exagerada a componentes que não devia. Ora todas as situações que possam aumentar esta reactividade vão ser prejudiciais.

Pacientes com doença celíaca têm também grande probabilidade de desenvolver outras doenças auto-imunes.

Por todas as razões apontadas no ponto anterior, se pode concluir que facilmente se gera um ambiente inflamatório numa dieta baseada em glúten como é a dieta ocidental.

Para além disso, melhorias sob dieta sem glúten em doenças auto-imunes como Tiroidite de Hashimoto, Esclerose múltipla e até diabetes tipo 1 já foram documentadas. Na nossa prática clínica notamos melhorias em muitas outras doenças auto-imunes, com a erradicação do glúten.

O glúten pode ser viciante

É impressionante como nos dias de hoje a sociedade vive dependente de um cereal, principalmente o trigo. Sem farinha de trigo parece que ninguém sabe cozinhar de forma nenhuma.

Para além disso, da digestão incompleta do glúten (por diversos motivos), formam-se as chamadas gluteomorfinas (saiba mais) que são complexos que activam receptores opióides, dando a sensação de prazer e tornando-se viciantes. Algumas atuam apenas a nível intestinal, causando sintomas parecidos aos de outros compostos opióides, sendo a obstipação ou prisão de ventre o mais comum.

Quando a parede intestinal está demasiado permeável, as gluteomorfinas podem ser absorvidas para o organismo, podendo exercer os seus efeitos noutras zonas do organismo, nomeadamente ao nível cerebral - sensação de bem-estar.

Faça a experiência, se sente que o glúten pode estar a ter um papel na sua condição de saúde informe-se bem sobre as melhores alternativas.

Uma questão que nos preocupa é naturalmente a retirada de uma proteína para se cair numa alimentação monótona, baseada em arroz e milho (atenção níveis de arsénio) e com produtos industrializados.

Quando se toma a decisão de retirar o glúten, há que fazer um plano bem estruturado e de qualquer forma o mais natural possível.


EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


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