Alimentação saudável Daniela Seabra

Alguns dos motivos que nos fazem comer o que não devemos

Já é de conhecimento geral que devemos ter cuidados alimentares para melhorarmos a nossa saúde e evitarmos diferentes doenças. De um lado estão todos aqueles que acham que "só acontece aos outros”, ou que privilegiam o prazer momentâneo sem olhar a consequência. Nestes, a culpabilização da ingestão de alimentos "não aconselhados” não ocorre, nem existe a necessidade real de mudança. Infelizmente, para a grande maioria destes, a mudança para hábitos alimentares mais saudáveis só ocorre quando algo lhes desperta a necessidade de mudança – uma dor, um diagnóstico, um comentário, ou mesmo uma imagem.

Mas para um grande número de pessoas a necessidade de mudança está presente, mas por razões que o próprio não entende, não consegue evitar consumir os alimentos "não aconselhados”.  A consequente culpabilização fá-lo prometer que da próxima vez vai ser diferente, mas nem sempre é, e os sentimentos de frustração acumulam-se. Caso se inclua neste grupo, este texto é para si.

 Por um lado há a frase "é fácil ter bons hábitos e é fácil ter maus hábitos – o difícil é mudar de hábitos”, numa clara alusão à dificuldade em mudar. Felizmente já existem mecanismos como o coaching (neste caso o nutrition coach) que estimula e facilita esta mudança de hábitos. Conheça também o Minfulleating, que pode ser uma ajuda preciosa.


Mas mais uma vez, há um grupo de indivíduos que mantém uma enorme "compulsão” por alimentos não aconselháveis. Será apenas "falta de vontade” ou "uma personalidade fraca”?

A resposta é não. Para muitos indivíduos com compulsão alimentar, não comer significa a não satisfação de uma necessidade fisiológica  - tal como não beber quando temos imensa sede, não dormir quando temos muito sono, ou não nos protegermos do frio ou do calor excessivo. Torna-se por isso mais importante entender o motivo da compulsão, e não culpabilizar ou condenar o individuo que não foi capaz de "resistir”.


Comecemos por explicar que o consumo de alimentos é uma necessidade básica de sobrevivência, e que por isso existem mais moléculas capazes de estimular o apetite, do que aquelas que o inibem. Há alguns truques que ajudam a regular melhor o apetite, como já falamos aqui.

Mas há outros factores que podem contribuir para um apetite excessivo ou mesmo a necessidade de ingestão de alimentos "não aconselháveis”. Vejamos alguns:
    
Glutamato monossódico

Este intensificador de sabor causa uma hiperestimulação neuronal e das papilas gustativas. O sabor induzido por este químico faz com que o produto alimentar que o contenha fique "delicioso”, e a nível cerebral faz que tenhamos muita dificuldade em parar de o consumir. Este composto é ainda considerado um obesogénio, pois é capaz de induzir obesidade, mesmo sem ter calorias. Comece por isso a ler rótulos e evite todos os alimentos que digam: glutamato monossódico, monossódio glutamato, extrato de levedura ou E621.


Aspartame

Este adoçante, amplamente usado pela industria alimentar nos produtos "sem açúcar” é capaz de influenciar a libertação de hormonas como a insulina, e tem sido também associado ao aumento de peso, e do apetite. Outro produto a evitar da lista de ingredientes! Pode aparecer com o código E951.


"Quebras de açúcar”

As hipoglicemias (na sua grande maioria reativas), são um das principais motivos para a compulsão alimentar por alimentos ricos em hidratos de carbono (como pão, bolachas) ou açucares simples (os diferentes produtos açucarados). Perante uma situação destas, a proibição não costumar resultar e pode induzir sintomas de ansiedade, irritabilidade ou falta de concentração. Entender o motivo destas hipoglicemias reativas e atuar preventivamente são sem dúvida a melhor solução.


Deficiências nutricionais

A falta de nutrientes como o crómio ou o zinco podem aumentar a incidência e a intensidade destas hipoglicemias reativas. Além disso, se os seus níveis de zinco não forem os adequados não conseguirá sentir o sabor dos alimentos. Nesse caso, comer legumes e hortícolas pode parecer um martírio, e as escolhas mais óbvia passam a ser os diferentes molhos artificiais, em especial os que tenham glutamato monossódico.


Alterações de neurotransmissores

O que comemos influencia a nossa química cerebral, daí que quando o nosso organismo necessita aumentar determinados  neurotransmissores, poderá fazer com que procuremos alguns alimentos em particular – especialmente na fase pré – menstrual ou quando as coisas nos correm menos bem.


Temos por isso que diferenciar quem come "o que não deve” porque quer comer, daqueles que têm uma necessidade urgente e inexplicável de ingerir determinados alimentos – ingestão essa normalmente seguida de culpabilização. O acompanhamento profissional é fundamental nestes casos.  

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


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