Eu com os outros Luzia Alves

Crianças e adolescentes: correr e saltar é importante


O osso é um tecido vivo em permanente remodelação e adaptação às solicitações mecânicas. O osteócito, uma das células que o constitui, é o principal mecano-receptor e tem um papel fundamental na adaptação e reparação dos microtraumatismos que o osso sofre.

A função evidente do esqueleto é a da sustentação. Para tal, o osso tem de combinar resistência e deformabilidade para se adaptar às necessidades. Esta adaptação é possível pela transformação de sinais mecânicos em sinais biológicos.

Desde 1896 que Wolf desenvolveu a teoria de que a formação e reabsorção do osso se faziam em função da carga mecânica aplicada a este. As células responsáveis por este mecanismo são os osteoblastos e os osteoclastos. Em 1987, Frost propôs a teoria do mecanostato em que relaciona as adaptações da massa, da dureza e da arquitectura do osso em função do estímulo mecânico.

Mais recentemente, começa-se a descobrir o papel de outra célula: o osteócito. Saiba que 90% das células ósseas são osteócitos? Estas apresentam um corpo celular que se prolonga por finos filamentos que comunicam entre si e que estabelecem uma rede alargada no tecido ósseo, estando envolvidos por líquido extracelular. Este líquido transmite à célula variações de pressão hidráulica e troca com ela várias substâncias.

Quando se observa osso ao microscópio observam-se microfissuras. Nestas zonas dá-se a quebra dos prolongamentos dos osteócitos com a sua consequente morte (apoptose). Por sua vez, a morte destas células provoca modificações locais com a formação de secreções que vão conduzir à remodelação óssea (dá-se uma reabsorção associada a uma osteo-formação). É necessário um certo grau de compressão para que os osteócitos tenham viabilidade e para estimular o equilíbrio da homeostasia do tecido ósseo.

Vários estudos evidenciam o aumento da densidade mineral por DMO (densitometria óssea), assim como uma arquitectura óssea mais reforçada nas crianças e adolescentes desportistas, relativamente a grupos de crianças sedentárias. O ganho verificado nestas faixas etárias é maior do que aquele que posam ocorrer posteriormente, apesar de haver alguma perda com o decorrer do tempo, esta é gradual e parcial.

Para que haja reforço ósseo tem de existir estimulação mecânica do osso. Esta estimulação surge em actividades como a ginástica, voleibol, actividades com saltos, corridas. As actividades com baixo impacto como a natação, ciclismo e mesmo com grandes cargas, como o halterofilismo, tem pouco efeito sobre o osso.
Se quer evitar que mais tarde as crianças de hoje sofram de osteoporose estimule-as para os jogos tradicionais como o saltar à corda, a macaca, o mata, as corridas de sacos o jogo do eixo e tantos outros que eram naturalmente jogados ainda não há muito tempo e que mercê das mudanças nos hábitos de lazer e das alterações urbanísticas são hoje pouco utilizados.

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.

0 comentários

Entrar

Deixe o seu comentário

em resposta a