Alimentação saudável Daniela Seabra

Genómica nutricional – a nutrição de acordo com o nosso perfil genético

Somos únicos. Em cada um de nós existe uma combinação única de genes que vai dar origem às nossas células e ao nosso corpo. As instruções contidas no nosso código genético e a forma como o lemos define a forma como as nossas células funcionam, e como nos relacionamos com mundo. Define também a probabilidade de manifestarmos determinadas doenças ou a forma como lidamos com os alimentos e as toxinas ambientais.

A genética médica já há muito que estuda os genes associados a determinadas doenças, onde a presença de um determinado gene está diretamente relacionada com a manifestação de uma doença. Mas para a grande maioria das doenças crónicas que nos afligem atualmente, esta relação entre a presença de um ou mais genes e a manifestação de doença não é assim tão direta.


Há alguns genes que estão associados à obesidade, à doença cardiovascular, à diabete tipo 2, ao envelhecimento, ao cancro ou a diferentes alterações psiquiátricas (como esquizofrenia, autismo ou doença bipolar). Mas a presença destes genes no nosso código genético pode não significar doença – quer porque temos os cuidados necessários para evitar, ou porque o nosso organismo consegue "silenciar” esses mesmos genes. Vejamos alguns exemplos:

No caso da obesidade ou diabetes tipo 2, o peso da genética é evidente. Porém sabe-se que se tivermos os cuidados alimentares, de exercício físico e de controlo do stress adequados, evitamos ou atrasamos o mais possível o aparecimento destas doenças.

Para outras doenças a forma de as evitarmos pode não ser assim tão evidente, podendo ser necessário recorrermos a teste de nutrigenética ou de aplicarmos alguns conhecimento da nutrigenónica.

Nutrigenética
Uma análise nutrigenética permite-nos perceber conhecer alguns dos nossos genes. Ficamos a saber se as nossas enzimas (as máquinas internas que regulam o nosso funcionamento) são eficazes ou se são mais preguiçosas, ou mesmo se realmente as temos!

Alguns de nós não possuem algumas das enzimas necessárias para degradar determinados compostos químicos tóxicos, e quando isso acontece corremos um maior risco desse composto tóxico nos causar dano. Por outro lado, algumas das nossas enzimas necessitam de quantidades mais elevadas de alguns cofactores (como vitaminas) para poderem desempenhar as suas funções – se consumirem a mesma quantidade que outra pessoa, a sua enzima não vai funcionar tão bem, e os sintomas podem manifestar-se.

O exemplo mais conhecido é da enzima MTHFR que permite que o ácido fólico seja usado pelo nosso organismo. Quem possui uma MTHFR diferente da normal, necessita de quantidades muito maiores de ácido fólico para evitar os sinais de deficiência. Os portadores desta alteração genética têm um risco acrescido de doença cardiovascular, de demência ou Alzheimer, de perturbações psiquiátrica e no caso das mulheres: um maior risco de abortamentos ou de malformações fetais (em especial defeitos do tubo neural). Para evitar alguns destes problemas poderá bastar aumentar a ingestão de ácido fólico ou suplementar com uma forma especial de ácido fólico.

Nutrigenómica

Os alimentos e alguns nutrientes específicos têm a capacidade de ativar ou silenciar a expressão genética. Isto significa que apesar de temos um determinado gene associado a doença podemos impedir que este se manifeste. Alguns dos alimentos e nutrientes considerados anticancerígenos atuam desta forma: impedindo que os "genes do cancro” se manifestem. Significa também que podemos ingerir alimentos ou tomar alguns suplementos com o objetivo claro de aumentar a expressão genética das enzimas que pretendemos – um dos exemplos mais conhecidos é do sulforafano presente nos brócolos.  Este composto presente nos brócolos crus ou pouco cozidos, é capaz de aumentar a produção de algumas enzimas de desintoxicação – é por isso presença essencial nos cuidados alimentares desintoxicantes!

A genómica nutricional está ainda a dar os primeiros passos, mas é já capaz de optimizar diferentes situações, prevenir algumas doenças e melhorar o estado geral. A parte boa é que basta uma colheita de saliva (ou esfregar com cotonete no interior da boca) para se conseguir este tipo de informações. A parte má é que os testes disponíveis no mercado não são acessíveis a grande maioria das pessoas devido ao seu preço, mas estes têm vindo a baixar e num futuro próximo serão provavelmente bem mais acessíveis.


EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


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