Eu consciente Daniela Seabra

Glúten na cosmética... será um risco real?

Quem segue uma dieta sem glúten tem um motivo para o fazer e procura toda a informação disponível sobre quais os alimentos que deve consumir, e quais os que deve evitar. Procuram-se receitas, truques culinários e diferentes sugestões para uma alimentação, que à primeira vista parece ser complicada.

Na busca de informações sobre o que devemos comer ou não comer, esquecemo-nos que a nossa pele "também pode comer”. Já tínhamos falados dos 5 tóxicos que deve evitar nos produtos de cosmética e de higiene, dado os efeitos nefastos para a saúde que podem acarretar.

Mas talvez pode estar na altura de começar a prestar atenção ao glúten contido nos cosméticos.


Glúten nos cosméticos – deve ou não preocupar-nos?

Há certos temas que é difícil encontrar um consenso.

Alguns especialistas, centrados na certeza absoluta do seu conhecimento, relegam tudo o que possa, numa primeira análise, parecer absurdo. A doença celíaca é uma doença bastante conhecida e para ser diagnosticada requer análises imunitárias especificas e tem origem no contacto do glúten com a mucosa intestinal.

Logo, se pensarmos nos moldes da doença celíaca, o glúten contido nos cosméticos não deveria causar problemas, pois não é "comido”, mas sim colocado na pele. Daí que exista a versão: "não nos devemos preocupar com os cremes, mas devemos ter alguma precaução com os produtos que colocamos nos lábios, dado o risco de engolirmos partes”, tal como podemos ler num comunicado da Clínica Mayo.

Mas algumas mentes mais inquietas, talvez movidas pela curiosidade de ver além do estabelecido, tentam alargar horizontes e começar a juntar alguns pontos: a nossa pele tem uma concentração de células imunitárias, estas células imunitárias são capazes de desencadear reações imunitárias contra diferentes compostos, por outro lado, o glúten é considerado uma proteína de elevada capacidade antigénica, estando a alergia ao trigo, nomeadamente a nível da pele, descrita na literatura médica...

Logo, faz algum sentido pensar que a nossa pele possa reagir ao glúten, da mesma maneira que pode reagir a qualquer ingrediente contido nos cremes e cosmética.

Para conseguir acompanhar este raciocínio poderá ter de sair um pouco do conceito de doença celíaca como a grande forma de reação ao glúten, e começar a questionar-se se não haverá outras formas de reagir a esta proteína alimentar.

Diferentes especialistas já começaram a abrir o leque à possibilidade de haver diferentes reações ao glúten, para além das tradicionalmente descritas. Esta notícia foi um alivio para milhões de pessoas sem doença celíaca que se sentiam melhor quando retiravam o glúten – afinal as suas melhorias não tinham apenas origem psicológica (o conhecido efeito placebo).

O tema glúten nos cosméticos também já começou a ser abordado, na 76ª Reunião Científica do Colégio Americano de Gastroenterologistas realizada em 2011. Foi inclusive relatado um caso de uma mulher de 28 anos que teve uma exacerbação dos seus sintomas de doença celíaca após a utilização de um creme "natural”.

Afinal, a questão do glúten nos cosméticos parece não ser assim tão descabida.
Porque não tentar?


Talvez por esse mundo fora, da mesma maneira que inúmeras pessoas viram diferentes sintomas que apresentavam, nomeadamente gastrointestinais, melhorados através da implementação de uma dieta sem glúten, possa haver umas quantas que melhorem a sua pele, simplesmente ao mudarem os produtos que usam, para marcas biológicas e sem glúten.

Apesar de ainda não existirem evidências científicas concretas que confirmem que o glúten contido nos cosméticos pode realmente ser um problema, a verdade é que podemos avançar já para uma experiência em nós próprios.

Caso perceba que a sua pele, couro cabeludo ou lábios não estão bem, a Esmeraldazul recomenda que mude para produtos de higiene/cosmética biológicos e sem glúten durante uns tempos, e avalie. Se melhorar, volte a usar os produtos anteriores – se os sintomas voltarem, tem a sua resposta.

E caso a sua pele não melhore com estes truques, nem com tratamentos médicos.. não se esqueça de considerar a parte emocional, pois a sua pele pode simplesmente estar a dizer aquilo que não foi, ou não é capaz de dizer.

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


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