Psicologia positiva Paula Costa

Hábitos de hoje
Podem não ser os de amanhã

Todos nós vivemos agarrados a hábitos de pensar, sentir e agir, que se estruturam no dia-a-dia em padrões mentais e comportamentais.

Constituem grande parte das nossas escolhas diárias e aproximam-se bastante das nossas escolhas conscientes.

Uns refletem–se como positivos (sorrir, ter auto controle, fazer exercício), outros como negativos, (procrastinar, fumar, dormir pouco) mas ambos estão sujeitos a um estímulo, a uma repetição e a uma recompensa.

A manutenção de hábitos não parece exigir muito esforço. Reconhecê-los ou alterá-los é, pelo contrário, uma tarefa tão desafiante como disciplinada!

Entender o processo de aquisição e manutenção dos hábitos é importante para a alteração dos mesmos mas, o processo de alteração só se inicia com a tomada de consciência dos que controlam a nossa vida e nos são prejudiciais.

O cérebro humano processa toda a informação através de redes neuronais que são estabelecidas ao longo da nossa vida. Assim, perante um estímulo conhecido apresentamos uma resposta também conhecida (positiva ou negativa). "Reagimos” com base em aprendizagens que por vezes não respondem às nossas necessidades mas sim às nossas memórias.

Essas respostas, pela sua repetição transformam-se em rotinas que, por sua vez, são fortalecidas pelas recompensas a elas associadas.

As recompensas (emocionais ou cognitivas) associadas a um hábito ajudam à memorização de determinada ação e apoiam à repetição.

Mudar é sinónimo de desenvolvimento pessoal mas o facto é que qualquer pessoa já sentiu a dificuldade de mudar um hábito.

Por exemplo: Quer deixar de ir de carro para o emprego.
O que desencadeia o comportamento? A sensação de cansaço.
Qual a rotina associada? Levanta- se tarde e desculpabiliza- se com o facto de não gostar de chegar atrasado.
Qual a recompensa? A sensação de conforto.

Alterar esse comportamento indesejado pressupõe alterar o gatilho, a rotina e a recompensa:
Deitando-se mais cedo vai diminuir a sensação de cansaço e com a repetição do novo hábito (ir a pé) surgirá a recompensa (melhora a sua forma física e aumenta o seu bem-estar).

Nestes desafios de mudança outros aspetos são fundamentais:

  • O auto conhecimento. Conhecer a sua história, compreender como a delineou e as emoções que a caraterizam ajudam a entender melhor a forma como os hábitos (entre eles) se reforçam.

  • O ambiente é muitas vezes um elemento reforçador de rotinas. Afastar- se ou alterá-lo é necessário.

  • Os pensamentos negativos e previamente aprendidos podem desmotivá-lo à ação e consequentemente ao treino de novos comportamentos.

  • O desconforto inerente ao processo inicial é natural.

  • A criatividade e a flexibilidade são competências psicológicas que promovem a motivação à mudança, facilitam estratégias de resolução de problemas e aumentam a capacidade de adaptação.

  • Ter vontade não significa "assunto resolvido”. Alterar implica acção e treino acompanhado de discurso positivo e realista.

Eliminar "maus hábitos” e substituí-los por hábitos saudáveis significa ser capaz, enquanto ser individual e social, de tomar decisões rumo a uma melhor qualidade de vida num processo de desenvolvimento dinâmico.

Uma boa rede de hábitos é necessária se a mesma estiver conscientemente ao nosso serviço!


Esmeraldazul, para uma vida saudável, consciente e sustentável!