Eu e o meu corpo

Massagem Biodinâmica

A VIDA EM MOVIMENTO

A massagem biodinâmica procura integrar uma preocupação com todos os níveis da experiência humana: física, emocional, mental e espiritual. O organismo é visto como um sistema dinâmico e complexo. O enfoque teórico que enquadra o método de massagem tem em conta os sintomas como sinais de uma alteração neste equilíbrio dinâmico (Westland, 1996).

O método foi criado e desenvolvido por Gerda Boyesen, uma psicóloga e fisioterapeuta norueguesa (1922-2005) que depois se radicou em Londres a partir de onde o método se disseminou por toda a Europa. A massagem é uma das dimensões que explorou e desenvolveu na sua proposta terapêutica ao longo da sua experiência clínica como psicóloga e fisioterapeuta(Boyesen, 1985).


A palavra biodinâmica significa vida (bio) em movimento (dinâmica) e traduz o modelo teórico no qual tensões físicas podem estar associadas a tensões psicológicas ou emocionais implicando algum tipo de perceção de insatisfação ou mal-estar.
Gerda Boyesen associou estes bloqueios no equilíbrio dinâmico com alterações fisiológicas (Westland, 1996).

Alterações involuntárias no sistema nervoso autónomo associadas à massagem são comuns com outras formas de massagem terapêutica, e são, hoje em dia, uma forte linha da investigação dos seus benefícios. Porém, existe uma dimensão específica na proposta biodinâmica que é a ligação psicossomática por via dos movimentos peristálticos do intestino: durante uma massagem, quando o cliente começa a relaxar, acalma a respiração e as tensões musculares diminuem, começam a fazer-se ouvir sons peristálticos (Westland, 1996).

Gerda Boyesen passa a fazer as suas massagens utilizando um estetoscópio para escutar os sons peristálticos (Boyesen, 1985). A ligação entre emoções e intestino foi explorada pelo fisiologista Walter B. Cannon (1871-1945) e recuperada mais recentemente pelo neurocientista Michael Gershon com o seu artigo Your Gut Has a MInd of Its Own: The Second Brain (1998)(Schaible, 2008). A observação empírica de Gerda Boyesen, da emergência de sons peristálticos quando os seus clientes reportavam sensações de bem-estar, relaxamento e desbloquear de tensões pode vir a ter aportes nas recentes investigações em neurociências, áreas que contribuem por excelência, na atualidade, para a compreensão dum ponto de vista biológico das componentes afetivas e emocionais.

Tipicamente, uma sessão de massagem incluirá técnicas de massagem, mas também o encorajar a que ciclos emocionais interrompidos possam completar-se num espaço seguro, o que pode passar por falar sobre situações do processo de vida e exprimir emoções (Westland, 1996). Há uma intenção e procura de atuar a um nível global com o cliente, por via da relação terapêutica de base humanista regulada por um código de ética e confidencialidade, associado aos benefícios terapêuticos da massagem na função imunitária, redução da dor e depressão (Field, 2007) para citar alguns.

É importante situar as propostas de Gerda Boyesen no seu contexto histórico e nos modelos que influenciaram as suas conceções (Freud, Reich e o movimento humanista). Uma vez que o conhecimento científico evolui continuamente, importa atualizar o modelo teórico da massagem biodinâmica abdicando do que se tornou anacrónico e aproveitando o que se mantém atual, o que não diminui o potencial do método como ferramenta complementar não farmacológica, na promoção de bem-estar em casos indicados.

A investigação científica vai abrir, sem dúvida, novas potencialidades de desenvolvimento do modelo, o que vai ao encontro da visão biodinâmica de Gerda Boyesen: um contínuo fluir no sentido do crescimento, desenvolvimento e evolução em busca do máximo potencial humano auto atualizante adaptando o método ao século XXI.


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