Quintal bio Jorge Ferreira

O alho é um alimento, condimento e um biopesticida

O alho não gosta de água em excesso, pelo que as chuvas intensas desta época podem fazer apodrecer a planta, a começar pela raiz.

Para prevenir este problema há duas coisas a fazer no caso em que o terreno tenha má drenagem, ou seja, tenha tendência a ficar alagado quando chove, seja pela sua textura argilosa, seja por não ter declive.

A primeira medida é a abertura de valas de drenagem ainda antes da plantação, um trabalho a fazer no Verão ou no Outono, manualmente ou com a ajuda de máquinas no caso de maior extensão e profundidade (fig.1).

A segunda prática, de que já falámos em artigo anterior, é a plantação em cama alta (ou camalhão). Como se pode ver na figura 2, num dia de forte chuva, com a água a escorrer para a vala da figura 1, a planta no cimo do camalhão está a salvo.



Figura 1 – Vala de drenagem construída no Verão a meio da horta, um trabalho precioso para se poder cultivar no Inverno em terras planas (Benavente, Janeiro 2014).







Figura 2 – Plantas de alho em dia de forte chuva, mas a salvo, devido à plantação em cama alta e em horta com valas de drenagem (Benavente, Janeiro 2014).



Também é chegada a altura de mondar as ervas, principalmente aquelas que crescem mais depressa que os alhos. Um sacho de lâmina de raspar e cabo comprido permite tirar a maior parte das ervas sem grande esforço, principalmente se não as deixarmos crescer muito.

Assim, ainda havemos de colher bons alhos.
Alhos que também podem vir a fazer falta para preparar um tratamento biológico para tratar outras culturas e as defender de fungos e insetos.

O alho pode ser usado como repelente, inseticida e fungicida. O alho tem um efeito antibiótico e fungicida.

O alho contém um derivado do aminoácido cisteína, chamado aliina, percursor dos componentes de efeito pesticida. A aliina é solúvel em água e não tem cheiro, mas quando o alho é esmagado o cheiro característico é libertado, resultante da transformação da aliina em alicina, a substância pesticida primária.

Logo, quanto mais forte for o cheiro mais forte é também o alho com pesticida. A alicina em água forma o ajoeno e outros compostos de enxofre.

O efeito sobre pragas e doenças varia com os tipos de preparação e que são principalmente os seguintes:
- maceração em água: alho esmagado ou em pó misturado com água;
- suco de alho esmagado a frio numa prensa;
- extrato em solvente orgânico: alho esmagado ou em pó e misturado com um álcool (metanol, por exemplo), solvente que depois é evaporado, sendo o que resta misturado com água;
- óleo de rama e caules destilados.


Como fazer?

Para a preparação duma solução aquosa de alho que pode ficar armazenado até ser necessário aplicar, pode proceder-se do seguinte modo.
Misturar duas cabeças de alho (cerca de 115 gramas ou 0,115 Kg) com 950 ml (0,95 l) de água e algumas gotas de sabão líquido; triturar com "varinha mágica”, deixar 10 minutos e filtrar para remover as partes sólidas; o líquido recolhido pode ser guardado; para pulverizar diluir na proporção de 1:10 imediatamente antes da aplicação.

Tal solução contém entre 25 e 50 mg/l de alicina e pulverizada sobre as folhas combate vários fungos e bactérias e pode ainda prevenir viroses. Pode também ser aplicado ao solo para combater nemátodos. Também repele moscas brancas, borboletas, escaravelhos e possivelmente piolhos. Pode também matar algumas pragas mas não é eficaz contra gafanhotos, tripes e aranhiços.
As pulverizações feitas com óleo de caules de alho destilados são muito voláteis para serem muito eficazes.

Os extratos alcoólicos (etanol, metanol) de alho são mais eficazes contra piolhos e outras pragas, mas também afetam os auxiliares, principalmente sirfídeos e crisopas.

Jorge Ferreira
Eng. agrónomo, consultor e formador em Agricultura Biológica
Agro-Sanus


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