Animais e companhia Maria João Baldaia

O stress oxidativo na vida dos animais

Uma nova vida está prestes a começar. Um óvulo aguarda a sua fecundação por um espermatozoide.

O novo ser vivo herdará dos seus progenitores uma memória, tanto individual, como coletiva, armazenada nos núcleos do óvulo e do espermatozoide, sob a forma de material genético. Este legado é um resumo da evolução da sua espécie até aquele momento. Mas não só. No citoplasma do óvulo existem umas estruturas chamadas mitocôndrias, estas contêm material genético que fará parte de todas as mitocôndrias, de todas as células do individuo, até ao último momento da sua existência.

A mitocôndria  tem uma história extraordinária, algures no passado terá sido uma bactéria, que encontrou um hospedeiro e a adaptação de ambos permitiu que a potencial agressora se tornasse numa aliada, um reator metabólico para a célula. Este centro de produção de energia intervém também em processos tão importantes como o envelhecimento e a apoptose celular , com especial envolvimento de substâncias resultantes das reações mitocondriais, os radicais livres.

A atividade mitocondrial existe desde o primeiro momento de vida, até ao último. A célula protege-se dos radicais livres através de sistemas enzimáticos, que os mantêm em níveis controlados, evitando desta forma a ocorrência de danos celulares. Os problemas surgem quando existe um aumento anormal da produção dos radicais livres, esgotando os mecanismos de proteção da célula, ou quando estes se encontram em menor quantidade, podendo ocorrer em ambas as situações sinais de stress oxidativo.

Sendo a atividade mitocondrial e a produção de radicais livres, algo que acompanha os animais ao longo da sua vida, em que circunstâncias poderemos esperar que ocorra stress oxidativo?

Em situações fisiológicas como por exemplo a gestação, o exercício físico  intenso, e o envelhecimento. Nos obesos  saudáveis.
Em animais doentes , o stress oxidativo está envolvido em várias patologias, como por exemplo: tumores (ex: mastocitoma, linfoma, tumor mamário; alterações cognitivas; doenças infeciosas (ex: parvovirose, leishmaniose); doenças parasitárias (ex: sarna); doenças de pele (ex: dermatose responsiva ao zinco, dermatite atópica); patologia cardíaca (ex: insuficiência cardíaca congestiva); patologia renal (ex: insuficiência renal crónica); doenças metabólicas (ex: diabetes); patologia oftálmica (ex: cataratas); doenças autoimunes e doenças hereditárias.

Nestas circunstâncias, contribuir para a capacidade "anti-oxidativa” do animal é sem dúvida uma boa opção.

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável

 


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