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Porque acontecerão estas diferenças entre o amor e paixão?

O que é faz com que nos apaixonemos?

Provavelmente já fez esta pergunta. Normalmente o cérebro de uma pessoa apaixonada contém grandes quantidades de feniletilamina. Há muito que a paixão é associada, pelos cientistas, a este neurotransmissor.

O cérebro começa a produzir feniletilamina em situações de troca de olhares, apertos de mãos, entre outros, originando modificações fisiológicas.

Um outro dado interessante é que a feniletilamina existe em altos níveis no chocolate.

A antropóloga e autora do livro "Anatomia do amor”, Helen Fisher, demonstrou que os sintomas provocados pela paixão, como a euforia, a falta de sono, as chamadas "borboletas na barriga”, etc., estão associados a altos níveis de dopamina e noreadrenalina, estimulantes naturais do cérebro.

Existe um limite de tempo para a paixão?

Os estudos da professora Cindy Hazan, apontam que os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados entre 18 a 30 meses. a professora teve a oportunidade de entrevistar e testar 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que a paixão possui um "tempo de vida", o que significa um tempo longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e reproduza.

Cindy Hazan identificou algumas substâncias responsáveis pelo amor-paixão: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estas substâncias químicas são produzidos em grandes quantidades no início da paixão.

Com o tempo, o organismo torna-se resistente aos seus efeitos, e toda a paixão vai desvanecendo. E nesta fase, pode surgir o amor. O casal valoriza aspetos como o companheirismo, a afetividade, tolerância, e vão-se construindo e estruturando sentimentos.

No entanto, a realização de atividades diferentes da rotina, ativa no cérebro a sensação de novo, a sensação de prazer, o que pode ir mantendo como se costuma dizer, a "chama acesa."


A paixão é sensorial, e quando as substancias referidas começam a diminuir, o córtex pré-frontal começa a ser estimulado, sendo a região cerebral implícita no julgamento crítico e no discernimento. É o momento específico em que começamos a ver além da paixão.

Com base noutras pesquisas desenvolvidas pela Dra. Helen Fisher, vamos descrever as fases da paixão relacionadas com as substâncias químicas do nosso corpo.

Helen Fisher classificou a paixão em três etapas:

1ª fase: Nessa fase as sensações e o desejo sexual são iniciados no corpo humano. Eles são despertados pela circulação das hormonas sexuais: o estrogénio nas mulheres e a testosterona nos homens;

2ª fase: Toda a excitação física, batimento cardíaco, "borboletas na barriga”, suores, o corar do rosto, ocorrem, pois o sangue corre mas rápido pelos vasos debaixo da pele, a temperatura de nosso corpo sobe e produz-se mais noradrenalina, que acelera o bater do coração.

No cérebro há uma explosão de reações causadas pelos neurotransmissores, especialmente a dopamina e serotonina.
Estas substâncias produzidas no nosso corpo apresentam efeitos muito parecidos às drogas do tipo anfetaminas.
Ao libertarmos em maior quantidade estes neurotransmissores, o nosso comportamento é alterado, há uma desorganização no nosso cérebro, que o faz ficar confuso, por isso ficamos com aquele ar de "aluados" quando estamos apaixonados.

3ª fase: É descrita pela a autora como a fase em que o casal se vincula, quando as hormonas ocitocina e a vasopressina são libertadas durante a relação sexual.



Amor: o que influencia

O amor é influenciado pela dopamina, ocitocina e vasopressina, como atrás já foi referido.

O amor que não se justifica apenas pela procriação, segundo Helen Fisher, surgiu há cerca de aproximadamente 10.000 anos. Neste sentido, os homens passaram realmente a amar as mulheres, não apenas como meras reprodutoras, e algumas destas passaram a olhar os homens como algo mais além de provedores da sua proteção e das suas crias.

Até que se prove o contrário, o amor é um aspeto inerente da espécie humana.

Talvez os animais também sejam capazes de amar, mas não possuem meios para verbalizarem os seus afetos. É desde o nascimento que a ocitocina está relacionada com as primeiras formas de apego do ser humano, com os seus criadores.

Ao longo do tempo estes transferem tais vínculos para outros parceiros nos quais vão investir seu amor. Assim , temos o novo investimento entre parceiros que permanecem juntos com laços estáveis de companheirismo.

Esta hormona influencia os efeitos do stress, diminuindo-os, e também está relacionada com uma melhoria do sistema imunitário e consequentemente a uma melhor qualidade de vida nos seres humanos que vão beneficiar direta e indiretamente da relação constituída.

Existe uma grande diferença entre emoção e sentimento. A emoção dá-se rapidamente e movimenta o sistema endócrino para que o corpo possa adotar um comportamento adequado aquela situação que pode ser real ou não. Já o sentimento é algo instalado e estruturado pelo individuo, pasaando a pertencer uma estrutura cognitiva permanente. Torna-se inerente ao complexo psicológico do sujeito.

De acordo com esta perspetiva, alguns autores defendem que relacionamentos de longo prazo atuam como um recurso social e psicológico que ajudaria as pessoas a resistirem melhor às possíveis perdas e às adversidades.

Neste sentido poderemos dizer que estar apaixonado é muito bom, mas amar poderá trazer benefícios ainda melhores.


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