Aprender sempre! Cristina Sales

Reflexologias – conhecer melhor para bem decidir

As reflexologias assentam no pressuposto de que em algumas zonas do corpo, que estão em contacto com o exterior, haverá uma representação da globalidade das estruturas anatómicas – órgãos, vísceras e sistema músculo-esquelético – desenhando uma espécie de mapa corporal preenchendo a zona na qual se reflete.

O funcionamento dos vários sistemas orgânicos refletir-se-á nessas zonas alterando-as sob vários aspetos, por exemplo, cor, sensibilidade, textura, impedância ou condutibilidade elétrica.

Em sentido inverso, a prática das reflexologias acredita que intervindo, de alguma forma, nas respetivas zonas reflexas é possível condicionar o funcionamento dos sistemas orgânicos.

A evidência científica das várias reflexologias varia de pouco consistente a totalmente inexistente.


Quais as reflexologias mais usadas?


Auriculoterapia

A auriculoterapia  é uma área de intervenção da acupunctura, criada por Paul Nogier, médico neurologista francês, na década de 50 do sec XX.

Paul Nogier concebeu um mapa humano refletido no pavilhão auricular.
A observação atenta das várias zonas reflexas bem como a alteração de algumas características de sensibilidade ou elétricas desses pontos fundamenta a decisão do tratamento com acupunctura que se refletirá em recuperação e equilíbrio de alguns quadros clínicos.

Tem sido possível encontrar evidência científica sobre a auriculoterapia no tratamento da dor. É eficaz no controlo da dor pós operatória e útil e o tratamento da dor cronica

O uso da auriculoterapia no tratamento da desabituação tabágica não é ainda suportado em evidência científica mas a sua ação está a ser alvo de mais um estudo a decorrer atualmente.

Reflexologia podal

É, provavelmente, a mais divulgada técnica de reflexologia.
A zona onde se reflete o organismo é a planta dos pés segundo cartografias nem sempre sobreponíveis.
A intervenção de reflexologia é feita com as mãos que vão exercendo pressão e fazendo massagem em pontos que denotam desequilíbrio dos órgãos correspondentes

A investigação científica não encontra evidencia para esta prática à qual não reconhece, de uma forma geral qualquer efeito, salvo muito pontualmente na melhoria de alguns sintomas urinários nos doentes com Esclerose Múltipla, e terá algum efeito na melhoria de dor, náusea e vómitos em doentes em tratamento de cancro da mama.

Reflexologia do dorso

As zonas corporais paralelas à coluna vertebral são percorridas por meridianos de acupunctura cujos pontos estão relacionados com órgãos e vísceras, conhecidos como pontos IU do dorso.
O conjunto desses pontos dá origem uma cartografia do organismo que é usada para intervenção em reflexologia, quer com métodos de acupunctura quer de massagem.


Reflexologia na íris – Iridologia

A iridologia parte do pressuposto que haverá na íris cerca de 80 a 90 zonas relacionadas com outras tantos sistemas orgânicos ou tecidos. As fibras das íris apresentarão alterações na sua estrutura e coloração passiveis de serem correlacionadas com determinadas alterações dos tecidos dos órgãos cuja zona refletem.

A iridologia apresenta-se, poi, como uma reflexologia diagnóstica mas, contrariamente às reflexologias anteriormente descritas, não tem qualquer intervenção de equilíbrio ou tratamento.

O facto de haver alguns relatos de diagnósticos "acertados” com a iridologia, poderá fazer admitir que a relação reflexa na iris existe, mas convém chamar a atenção para um aspeto da maior relevância para quem confia neste tipo de diagnóstico: a interpretação iridológica não está standartizada, pelo que permite uma grande variabilidade de interpretação pessoal e a ausência de sinais iridológicos não significa ausência de doença nos tecidos ou órgãos respetivos.

Até ao momento presente a iridologia não conseguiu mostrar qualquer evidência científica e não é considerada uma prática fiável.


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