Quintal bio Jorge Ferreira

Resíduos de pesticidas em crianças



Os pesticidas são aplicados na grande maioria das culturas agrícolas
e acumulam-se nos plantas, nos alimentos, no solo e na água, acabando por se acumular também no corpo humano. Embora em Portugal a sua designação oficial (defendida pela DGAV - Direção Geral de Alimentação e Veterinária) seja de "produtos fitofarmacêuticos”, a verdade é que foram feitos para matar -  insetos (inseticidas), fungos (fungicidas), ervas (herbicidas), ratos (rodenticidas), caracóis e lesmas (moluscicidas), e nemátodos (nematodicidas). Estes pesticidas, uns mais que outros, são também tóxicos para outros organismos (como as joaninhas e outros insetos auxiliares que comem os pulgões) e para o ser humano.

Os pesticidas de maior toxicidade aguda mas de baixa toxicidade crónica, começam por afetar os aplicadores, podendo afetar também os consumidores no caso de níveis de resíduos altos, acima de limite máximo de resíduos (LMR) legal no alimento. Já os de maior toxicidade crónica, em especial os disruptores endócrinos e/ou cancerígenos, atuam em doses muito baixas no corpo humano e podem ser perigosos mesmo abaixo desse LMR. Muitos deles têm também grande capacidade de bioacumulação, sendo eliminados apenas em parte pelo metabolismo humano.
 
Um estudo recente feito em França pela associação "Générations futures” veio revelar que as crianças também sofrem deste mal da bioacumulação de pesticidas agrícolas, revelada pelas análises feitas ao cabelo.

Em média foram detetados 21 pesticidas no cabelo de cada criança. E muitos são disruptores endócrinos, pois em comparação com os 53 pesticidas comercializados em França suspeitos de terem este efeito desregulador hormonal, 35 foram encontrados pelo menos numa das análises, sendo que 13 desses pesticidas foram detetados em todas as análises!

O facto de as crianças serem de zonas rurais e agrícolas contribuiu para esta grave situação, pois 80% delas esteve exposta a pulverização de pesticidas agrícolas durante os 3 meses anteriores ao estudo.

Esta mistura de pesticidas agrava a toxicidade de cada uma das substâncias ativas, com consequências imprevisíveis.

Isto justifica medidas urgentes, a exemplo do que foi feito em França para salvar as abelhas – a interdição de tratamentos durante o dia.

Para proteger as crianças e a população em geral, em França e em todo o Mundo, todos os pesticidas com efeito disruptor endócrino (e alguns causadores de cancro e doenças degenerativas como "Alzheimer” e "Parkinson”) deveriam ser proibidos a nível mundial.

Note-se que, embora a maior parte dos pesticidas com estas características sejas inseticidas ou fungicidas, também o herbicida mais usado no mundo (glifosato, vendido como Roundup e muitas outras marcas comerciais) tem esse efeito, levando à formação de tumores em ratos de laboratório, e alterando as células placentárias e as sexuais no ser humano.

Aplicações de herbicida como a das figuras 1 e 2, e até as aplicações em meio urbano, podem levar o produto até ao nosso corpo.

No caso do glifosato, a sua persistência no solo (1 a 2 meses para degradar 50%) e alta solubilidade na água (900 gramas de glifosato por litro de água), permitem um fácil arrastamento pela água e posterior acumulação em águas superficiais ou subterrâneas, algumas de possível captação para consumo público. Em França há cerca de 10 anos atrás (2003 e 2004), foi detetado glifosato e o seu metabolito de degradação, o AMPA (ácido aminometilfosfónico), em cerca de 50% das águas superficiais de toda a França. Em Portugal, passados mais de 10 anos, ainda não se fazem as análises!?


Figura 1 – Olival tratado com herbicida contrasta com seara verde ao lado (Beja, Março 2014)

Figura 2 – No mesmo olival o herbicida foi aplicado também na linha de água, secando as ervas e sendo arrastado pela água (Beja, Março 2014)


EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável


1 comentários

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em resposta a
nuno_soares
1 de Maio de 2017 às 20:09
pesticidas agrotoxicos na nossa alimentação .
assinem a petiçao ;)
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT82494