Animais e companhia Maria João Baldaia

Sabor terapêutico

Para a Medicina Veterinária Tradicional Chinesa (MVTC), os sabores dos alimentos têm propriedades terapêuticas. São considerados cinco sabores fundamentais: doce, pungente (picante), salgado, azedo (ácido) e amargo. Estes relacionam-se especificamente com determinados órgãos, vísceras e meridianos, que se encontram organizados por elementos, fazendo parte de uma das teorias mais importante do pensamento da MVTC, a teoria dos cinco elementos.

Assim, temos o elemento Terra, o Metal, a Água, a Madeira e o Fogo. Estes elementos relacionam-se de forma dinâmica e uns influenciam os outros, desta maneira surge uma relação de estimulação (ciclo sheng) em que o elemento mãe tonifica o elemento filho, por exemplo, a Terra nutre o Metal, o Metal por sua vez nutre a Água, que nutre a Madeira e esta por fim nutre o Fogo, encerrando o ciclo, pois o Fogo nutre a Terra. Por outro lado, existem relações de controlo (ciclo ko), em que o elemento avó restringe o elemento neto, ou seja, a Terra restringe a Água, a Água restringe o Fogo, o Fogo restringe o Metal, o Metal restringe a Madeira e por fim fecha-se o ciclo, pois a Madeira restringe a Terra. A saúde existe quando os ciclos Sheng e Ko ocorrem com equilíbrio e harmonia. A perda deste equilíbrio altera a relação dos elementos e manifesta-se uma doença.

Os sabores: doce, picante, salgado, azedo e amargo, influenciam a harmonização dos diferentes elementos. O sabor doce influencia a Terra, o picante influencia o Metal, o salgado influencia a Água, o azedo influencia a Madeira e o amargo influencia o Fogo.

Exemplo 1: Cão adaptado a comer uma ração com 11% de gordura bruta (G.B.) e por necessidades de incremento da energia digestível diária trocamos para uma ração com 16% de G.B., se a mudança for brusca, o animal poderá defecar fezes moles com restos de gordura não digerida (esteatorreia). Do ponto de vista da MVTC, as gorduras agridem a função de um órgão específico do elemento Terra, o Baço-Pâncreas (B.P.), sendo que uma das manifestações de desequilíbrio é a diarreia. De acordo com a MVTC, entre outras abordagens terapêuticas, que deve incluir sempre a interrupção da causa, podemos tonificar o B.P. através da ingestão de alimentos doces naturais e não refinados (ex.: infusão de camomila, arroz cozido).

Exemplo 2: A cadela que de vez em quando "pasta” plantas amargas! Animal dominante, meigo, mas de "pavio curto”, se provocada responde atacando. No último ano apresentou perda de força nos membros posteriores, com dor e foi-lhe diagnosticada uma hérnia discal. Para a MVTC, temos um animal de personalidade Madeira, com uma patologia que traduz um desequilíbrio no elemento Madeira. Durante anos, este animal procurou compensar-se com a ingestão de plantas amargas e ácidas ("podava” as folhas de um arbusto). Estes sabores favorecem a destoxificação hepática, entre outras ações. Orientam-nos para a necessidade de correções alimentares (dietas desintoxicantes) e de ações que favoreçam da drenagem hepática.

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