Eu e o meu corpo Luzia Alves

Saltos altos

O uso de sapatos altos tem séculos de história, sendo o primeiro modelo encontrado num túmulo do Antigo Egipto. Contudo, deve-se a Catarina de Médicis a introdução do salto alto, para compensar a sua pequena estatura. Os saltos altos foram posteriormente adotados pela nobreza como sinal do seu status e foi proibido o seu uso a quem não pertencesse a essa classe social.

Não temos dúvida de que os saltos altos dão mais elegância, a perna alonga-se, o tornozelo fica mais fino. No cimo dos seus saltos a mulher sente-se sensual, poderosa e confiante. O homem admira-a e surpreende-se com a facilidade com que ela se desloca.

Porém, existe um preço a pagar pela ousadia de alterar aquilo que tão sabiamente a natureza desenvolveu. O pé, com os seus 28 ossos,16 articulações, 107 ligamentos e 20 músculos é uma maravilha da arquitetura e da engenharia do nosso corpo.Um conjunto fascinante que nos suporta, equilibra e nos propulsiona. Na marcha consideram-se dois ciclos: a fase de apoio (60% do ciclo) e a fase de oscilação. Existe, entre estas fases, um pequeno momento de duplo apoio que é o momento de maior equilíbrio visto haver contacto dos dois pés com o solo.

Durante a fase de apoio temos três períodos: o período de receção, em que o calcanhar contacta o solo (15% da fase); o período intermédio, em que o pé está apoiado sobre o calcanhar e as cabeças dos metatarsos, sobretudo do 1º e do 5º (25% da fase) e ainda o período de impulso (20% da fase), quando sob a açãomuscular se desenvolve a energia para o pé deixar o solo. Toda esta fase implica um delicado equilíbrio de forças que põe em jogo todos os intervenientes anatómicos não só do pé, mas de toda a unidade funcional do membro inferior e da coluna lombar.
 
Quando se usam saltos altos várias alterações se dão na fase de apoio com a transferência do peso para o arco anterior do pé e sobrecarga e afundamento desse arco. Os dedos ficam fletidos, a pressão sobre a cabeça dos metatarsos aumenta, assim como o atrito, e vão-se desenvolver calosidades. O arco interno do pé fica mais côncavo e, conjuntamente com o tornozelo, mais instável. Os músculos posteriores da perna e o tendão de "Aquiles”ficam encurtados e, com o tempo, fragilizados. A nível do joelho dá-se um aumento de rotação com sobrecarga que aumenta o desgaste da articulação. Quanto à coluna lombar, a sua curvatura é alterada.

Para diminuir estes efeitos deve:
•    Usar sapatos de salto alto em ocasiões especiais e não regularmente;
•    Se não pode passar sem eles compre bons sapatos com compensação anterior; 
•    Sempre que possível descalce-se; 
•    Faça diariamente exercícios para compensar;
•    Não aumente de peso.
 

 

Descrição: Apoiar ambas as mãos num móvel ou numa parede, mantendo a coluna reta. As pontas dos pés ficam viradas para a parede, o joelho da frente flete enquanto o joelho de trás fica estendido. A flexão do joelho da frente orienta a tensão sobre a perna de trás, de modo a que sinta os seus músculos a estirar, mas de forma confortável. Manter a posição durante cerca de dois minutos e, em seguida, trocar a posição das pernas.





Descrição: Os pés bem juntos, as mãos apoiadas no chão ou sobre algo, que dê altura de modo a que a coluna fique enrolada e os joelhos estendidos ou moderadamente fletidos em função da tensão que sente nos músculos posteriores das pernas.  Manter a posição durante cerca de dois minutos.




 

Descrição: Deitada de barriga para cima, com os calcanhares apoiados num móvel ou numa parede, as pontas dos pés viradas para o chão, os joelhos estendidos. Manter a posição durante cerca de cinco minutos.

 

 



Descrição: Com uma bola, ou objeto cilíndrico, na planta do pé fazê-lo deslizar para a frente e para trás evitando fazer muita pressão sobre o objeto. Fazer este exercício durante cerca de dois minutos em cada pé.



 

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