Psicologia positiva Paula Costa

Trajetórias únicas, com sentido e criativas

Compreender o desenvolvimento humano pressupõe aceitar a inevitabilidade dos processos de continuidade e descontinuidade inerentes ao nosso ciclo vital e, por outro lado, torná-lo equilibrado, pressupõe a atribuição de um significado a esses mesmos processos.

No sentido do equilíbrio e da funcionalidade há, a nível individual, a tendência precipitada e condicionada em explicar e projetar o desenvolvimento pelo princípio da continuidade.

O indivíduo parece encontrar na continuidade um aparente conforto, definindo com clareza o ponto de partida e o ponto de chegada, o início e o fim.

Nesse trajeto definimos relações de causa/efeito que geram expetativas e que nos moldam a preconceitos e validações que nos retiram a possibilidade de sermos flexíveis e criativos. Toda a experiência que não tenha o resultado esperado é facilmente considerada impossível e recusada como momento de aprendizagem

No decorrer do desenvolvimento humano, à medida que um conjunto de mudanças e descontinuidades ocorrem, o organismo reorganiza-se na procura de um novo padrão de estabilidade, qualitativamente superior ao anterior. Atingido esse padrão, ocorre uma nova descontinuidade. Ou seja, ao mesmo tempo que o indivíduo se desenvolve de forma gradual e contínua, mantendo padrões de interacção e à medida que constrói outros (continuidade), ocorrem ruturas de padrões e saltos qualitativos que conduzem a novos estádios de desenvolvimento (descontinuidade).

As mudanças muito diversas com que nos confrontamos podem ser esperadas  ou inesperadas: a adolescência, a inserção escolar na infância, integração no mercado de trabalho, nascimento de um filho, etc.

Em todos esses casos o papel do indivíduo deve ser ativo de forma a garantir a construção de um verdadeiro sentido de si ao longo do ciclo vital e assim derrubar ou amenizar o conceito e desconforto associado à mudança.

A mudança possibilita procurar e aceitar novas experiências, redescobrirmo-nos e encontrar novas versões do mundo que se refletem num movimento de transformação pessoal, social e histórico.

A descontinuidade, portanto, deve ser vista como a possibilidade de apresentarmos uma atitude composicional e criativa perante ruturas e transições. É um princípio necessário à manutenção  e continuidade da vida, mais do que um percurso  entre o nascimento e a morte, é a busca de significado e de sentido para a existência.

Tanto a continuidade como a descontinuidade intervêm no nosso desenvolvimento. Aceitando-as, ajudam- nos a desenhar trajetórias únicas, com sentido e criativas!


Esmeraldazul, para uma vida saudável, consciente e sustentável! 


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