Quintal bio Jorge ferreira

Tratar da saúde à dentada, com maçãs regionais e biológicas.

A qualidade nutricional e sanitária dos frutos frescos, depende da presença mais ou menos abundante de constituintes benéficos, como os antioxidantes e a fibra dietética.

As plantas produzem substâncias designadas por metabolitos secundários para a sua proteção contra pragas e doenças. A quantidade produzida depende de vários fatores, incluindo a variedade, o "terroir” (condições de solo e clima), o estado de maturação e os métodos de proteção fitossanitária da cultura.

Por maçã "biológica” entenda-se "maçã de agricultura biológica”, sem os produtos químicos de síntese habitualmente aplicados noutros modos de produção – adubos, pesticidas e hormonas – e tratada por métodos e produtos amigos do ambiente e da saúde.
No caso da maçã biológica a fertilização/adubação é baseada no seguinte:

- Adubação verde à base de plantas leguminosas com bactérias fixadoras de azoto (nos primeiros anos do pomar);
- Enrelvamento do solo na entrelinha do pomar, com prados biodiversos, cortados regularmente, deixando a erva cortada na terra;
- Folhas das macieiras e lenha da poda triturada e deixada no terreno;
- Em complemento e no caso de solo pobre, aplicação de fertilizantes orgânicos e/ou minerais de origem natural;
Para a mesma cultura a proteção fitossanitária baseia-se no seguinte:
- Instalação de infraestruturas ecológicas, como sebes e caixas-ninho para aves insetívoras, para incremento da limitação natural de pragas pelos organismos auxiliares presentes;
- Plantação de variedades mais resistentes às doenças (por exemplo a variedade Bravo de Esmolfe, que em agricultura biológica, é praticamente imune ao pedrado);
- Aplicação de inseticida biológico, de origem microbiana ou vegetal, após estimativa do risco da praga;
- Colocação de armadilhas para a mosca da fruta.

É compreensível que, na generalidade, se verifiquem teores mais elevados (10 a 50%) nos alimentos produzidos em agricultura biológica, já que é substancialmente reduzida a aplicação de pesticidas, obrigando a planta a reagir, desenvolvendo os seus próprios meios de defesa. De entre os diversos metabolitos secundários, as designadas substâncias antioxidantes são igualmente importantes para a saúde humana.

Os polifenóis, presentes em vegetais e frutos, são dos exemplos mais estudados. A maçã é rica em polifenóis, a nível da polpa, mas ainda mais na casca. Essa riqueza depende da variedade de maçã e do modo de produção.

Quanto à variedade, um estudo comparativo de polifenóis totais na polpa de maçãs de variedades regionais com variedades comerciais (Projecto AGRO nº 740), mostra teores mais elevados nas regionais e diferentes para cada variedade (figura 1).


Figura 1 – Polifenóis totais da polpa da maçã, em diferentes variedades, regionais em comparação com as variedades comerciais Golden Delicious e Granny Smith. Da esquerda para a direita: Malápio; Camoesa Alcongosta; Bravo Esmofe; malápio da Ponte; Durázio; pêro Coura; Lila; Focinho de Burro, Golden Delicious; Granny Smith


No âmbito do mesmo projeto, quando comparadas as maçãs provenientes de agricultura biológica e agricultura convencional, verificou-se a maior riqueza em polifenóis nas biológicas (figura 2).

 
Figura 2 – Polifenóis totais da polpa da maçã, em variedades regionais cultivadas em agricultura biológica (BIO) ou agricultura convencional (CONV). Da esquerda para a direita: Camoesa Alcongosta Bio, Camoesa Alcongosta Convencional; Durázio Bio, Durázio convencional; Pêro Coura Bio, Pêro Coura convencional; Lila Bio, Lila convencional; Focinho de burro Bio, Focinho de Burro convencional.

Um estudo comparativo do teor de flavonol (um polifenol)  em maçãs de agricultura biológica e de agricultura convencional, em 10 explorações agrícolas, ao longo de 3 anos, apresenta valores médios de 2,75mg/100g de matéria seca nas maçãs "biológicas” e de 2,37mg/100g nas "convencionais” (figura 3).
Na prática, esta diferença de 16% é maior quando se comparam as duas maçãs, já que a maçã "biológica” contém teores mais elevados de matéria seca e, consequentemente, mais flavonol.

 
 Figura 3 – Teor em flavonol (polifenol antioxidante) em maçãs de agricultura biológica (bio) e de agricultura convencional (conv), em 10 explorações agrícolas, ao longo de 3 anos (Weibel, et al., cit. Alfoldi, et al., 2006)


Jorge Ferreira
Eng. agrónomo, consultor e formador em Agricultura Biológica
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Jorge Ferreira
Eng. agrónomo, consultor e formador em Agricultura Biológica
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